Semana Santa – 2026

A Semana Santa, a Páscoa, cada Eucaristia, para quem ama, para quem vive e se alimenta da fé, para quantos acreditam na morte de Jesus, como dádiva perene a favor da humanidade, não há repetição de acontecimentos ou palavras, há celebração e memorial, cada instante é a assunção do amor que Deus nos mostra em Jesus, cuja ressurreição O torna nosso contemporâneo.

Na Semana Santa vincamos o fundamento da nossa fé, Jesus no mistério da Sua morte e ressurreição. Jesus dá corpo e vida à nossa esperança, motiva e justifica a nossa caridade, o nosso amor para com os outros, nesta certeza inabalável de que aquilo que fazemos por amor não se perde no tempo, na história, não está sujeito à caducidade da nossa fragilidade e finitude, mas perdura na eternidade de Deus.

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

O Domingo de Ramos, com a bênção dos Ramos, frente à capela de Santa Bárbara, dá início a Semana Maior da nossa fé. O evangelho proclamado, neste primeiro momento, narra a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém. Imitando o gesto da multidão que aclamou Jesus, também nós o fizemos no percurso que nos levou à Igreja Matriz, onde prosseguimos com a Eucaristia. Na sequência da liturgia da Palavra, o Evangelho, proclamado a três vozes, faz-nos reviver os vários momentos da última semana de Jesus, a Ceia pascal, a agonia, prisão e julgamento, condenação e morte de Jesus.

No início da noite, a celebração da Via-sacra comunitária, preparada especialmente com os meninos da catequese. Este ano, no interior da Igreja, seguindo as meditações da Via-sacra vivida no ano anterior no Vaticano. As crianças da catequese vestiram-se das personagens que preenchem as catorze estações da Via-sacra.

Quinta-feira santa

Celebração da Ceia do Senhor, evocando a instituição da Eucaristia e o gesto do lava-pés. É momento particularmente significativo, visualizando a atitude de Jesus, que Se prostra diante dos seus discípulos e lhes lava os pés, mostrando-lhes, a eles e a nós, que este é o caminho, o caminho que nos leva também ao Céu, o serviço e cuidado dos irmãos. O que nos une aos irmãos, amar, servir e dar a vida, conduz-nos à eternidade. Mais do que palavras, Jesus faz-nos ver através do Seu gesto: como Eu vos fiz, fazei vós uns aos outros.

No final da celebração, o Santíssimo Sacramento foi transladado para a Capela de Santa Bárbara, onde, durante o dia de sexta-feira, permaneceu no sacrário, com a capela aberta, convite à adoração d’Àquele Jesus que quer ficar connosco.

Sexta-feira santa

Pela noite, outro momento muito significativo, a Adoração da Santa Cruz.

A iniciar a celebração, em silêncio, o sacerdote prostra-se diante do altar, contacto do corpo e da vida com o chão, com a terra, sinal e expressão de Deus que, em Cristo, Se antecipa, despojando-se de todo o poder para assumir a nossa frágil condição humana. Seguiu-se a Liturgia da Palavra, centrando-se na proclamação do Evangelho de são João, a três vozes, que nos conduz à ignomínia da Cruz, entrega total de Jesus para nossa salvação.

Depois do Evangelho e da homilia, a Oração dos Fiéis, que neste dia é mais completa: pela Igreja, pelos ministros sagrados e pelos fiéis, pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem em Cristo, pelos que não creem em Deus, pelos governantes, pelos atribulados, com a introdução da súplica, silêncio para interiorizar e oração.

Logo depois o gesto da Adoração da Santa Cruz.

A cruz percorreu a igreja – do fundo para o altar –, sendo apresentada à comunidade – “Eis o madeiro da cruz, no qual esteve suspenso o Salvador do mundo. Vinde adoremos. Vinde adoremos”. A cruz foi colocada diante do altar e os fiéis aproximaram-se e, com um beijo ou inclinação, expressaram a sua fé no mistério redentor da cruz.

Não havendo celebração da Eucaristia, seguiu-se a distribuição da comunhão.

No final, procissão com o esquife de Nosso Senhor Jesus Cristo morto, até à Capela de Santa Bárbara, onde ficou durante o dia de sábado, para veneração da imagem, mas elevando o espírito para Aquele que foi levantado da terra e que nos faz olhar para a Cruz e, simultaneamente, da Cruz nos faz olhar para as alturas, para o Pai das misericórdias.

Sábado Aleluia

A Vigília Pascal começou, como manda a tradição, com a bênção do lume novo, o acender do Círio Pascal, evocando que Jesus é verdadeiramente a luz do mundo que, ressuscitando, nos faz participantes da vida divina, desta vida nova que não se esgota no tempo. Ao louvor do Círio, as várias leituras: relato da criação, relato do Êxodo – passagem do Mar Vermelho, da escravidão para a Terra Prometida –, as leituras dos profetas e, depois, terminando com a epístola. Entre cada leitura, o respetivo salmo e oração.

Na aclamação ao Evangelho, voltaram a tocar as sinetas e os sinos, que foram silenciados na noite de quinta-feira, regressando a alegria da Páscoa. A Liturgia da Palavra seguiu na forma habitual: proclamação do Evangelho, homilia, oração dos fiéis, bênção da água batismal, liturgia eucarística.

E assim ficou completo o quadro do Tríduo Pascal.

Domingo de Páscoa

Bem cedo, em Domingo de Páscoa, o anúncio da ressurreição de Jesus, de casa em casa, finalizando com a celebração da Eucaristia, ao meio-dia, na Igreja Matriz.

Este ano, antes da Eucaristia, marcámos encontro no Cemitério, oportunidade para rezarmos por aqueles que continuam a fazer parte das nossas vidas, mas já se encontram na eternidade de Deus. Na parte final da Eucaristia, a procissão da Ressurreição, com o Santíssimo Sacramento exposto na sagrada custódia, para também desta forma nos lembrarmos do essencial da nossa vida cristã: a celebração da Páscoa, a Eucaristia, é para ser celebrada e adorada e, naturalmente, transportável para a nossa vida diária. Agradecimento sincero a todos aqueles que, durante estes dias, se empenharam de forma mais concreta, mais próxima, mais disponível, para preparar os diversos momentos e celebrações, participando com fé e alegria.

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